Penalty d-Tech: Chegou a bola inteligente

Penalty_d_Tech

É luta antiga do futebol, mas vai ter os primeiros resultados no voleibol. O campeonato brasileiro do próximo ano vai testar uma nova bola, uma bola inteligente. A ideia é determinar se os pontos são válidos ou não, à semelhança do que acontece com o olho de falcão do ténis.

Um sistema que, a fazer escola, pode chegar depois ao futebol e acabar com dúvidas como as dos benfiquistas naquele lance protagonizado por Vítor Baía em pleno estádio da Luz, em 2005. No voleibol, os casos polémicos têm menos mediatismo, até porque o sistema de pontuação (à melhor de cinco sets, sendo cada um decidido aos 25 pontos, com excepção do quinto, que termina aos 15) permite diluir um eventual erro de arbitragem. No entanto, o título feminino brasileiro de 2007/08 teria um vencedor diferente caso o Penalty d-Tech já estivesse em funcionamento.

Mas, afinal, que sistema é este? Criada em 2004, esta bola inteligente surgiu pelas mãos de uma empresa brasileira que inicialmente tinha como objectivo criar um sistema para ajudar os árbitros auxiliares no futebol a decidirem se a bola entrou ou não na baliza. A ideia esmoreceu por esses lances serem raros, mas pouco depois Roberto Stefano, presidente da empresa, encontrou Ari Graça, presidente da Confederação Brasileira de Voleibol, e iniciou uma ligação que vai agora ter resultados práticos.

A primeira versão do sistema, em 2006, apresentava uma margem de erro de 33%, ou seja, a precisão do local onde a bola tinha batido no solo tinha uma variação de nove centímetros para cada lado da linha. A evolução tecnológica entretanto operada acabou por eliminar esse problema. Os chips ficaram mais pequenos e foi possível introduzi-los dentro das bolas. Também foi adicionado um sistema de câmaras, como complemento à radiofrequência. Após cinco anos de desenvolvimento e mais de 1,5 milhões de euros gastos, o d-Tech foi apresentado oficialmente a 18 de Abril e deve fazer a sua estreia já na próxima edição da Superliga brasileira.

O que é o sistema Penalty d-Tech?

Uma bola com um chip. Por jogo são utilizadas três, ficando uma quarta de reserva. O chip é inserido numa cápsula, dentro da bola, com uma bateria com capacidade de aguentar até seis horas. Quando a bola bate no chão, o chip transmite a informação do toque para oito antenas RFID (identificador por radiofrequência) distribuídas aos pares pelos quatro cantos do terreno de jogo. Quando a bola passa pelo campo electromagnético criado pelas antenas, emite um sinal, transmitido a um computador, que activa seis câmaras de alta precisão, a cerca de dois metros das linhas finais. As câmaras recebem o sinal das antenas e geram a imagem da bola duvidosa. A confirmação do lance é enviada para um palm top, em poder do primeiro árbitro. No caso de a bola ser fora, recebe um sinal vermelho.

Declarações

VELINO AZEVEDO (Árbitro internacional português)
“Se ajuda, é positivo”

“Todos os meios que venham auxiliar os árbitros são positivos. Desde que se comprove a eficácia, são bem-vindos. É em tempo real, confirma as decisões e dá para diminuir os erros. A percepção de uma bola fora depende, muitas vezes, do ângulo. De uma bancada parece dentro e da outra já é fora. Este sistema é mais rigoroso e acaba por ajudar os próprios juízes de linha, que se podem concentrar noutras funções, como comprovar os toques na bola ou conferir as legalidades dos serviços (se um jogador pisa a linha ou não). Por isso, não esvazia as suas funções”.

HUGO SILVA (Treinador do Vilacondense)
“Não é imprescindível”

“Temos de nos adaptar às novas tecnologias. Não me parece um sistema imprescindível, mas é inegável que ajuda. Em determinados momentos do jogo, um ponto é crucial. Afecta não só o resultado como o ânimo de uma equipa. Mas situações polémicas são poucas”.

JOSÉ JARDIM (Treinador do Benfica)
“Mais objectividade”

“Sou a favor. Quanto mais objectividade, melhor. A determinado nível, muitas vezes os fiscais de linha são submetidos a uma pressão tremenda nos jogos decisivos e muitas vezes não estão preparados para a aguentar. E há alturas em que, por questões economicistas, a Federação nomeia fiscais de linha que são da área da equipa da casa. Este sistema pode prevenir a suspeição criada nesses casos. A minha dúvida está na rapidez e na eficiência. Por isso, sou a favor que se faça um teste”.

In O Jogo

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